quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Poligamia é pecado?

Sobre a poligamia de Abraão e outros vultos do Antigo Testamento: 

          Quando as leis foram escritas em pedra já haviam se passado 4 séculos posteriores a vida de Abraão. Toda a narração de Gênesis sobre a história do “pai da fé” fora escrita como memórias passadas que ajudariam resgatar o contexto histórico da nação de Israel que, infelizmente, havia se perdido pela força da situação escrava em que se encontravam. Durante os séculos de escravidão no Egito os israelitas
sofreram influências egípcias de nível históricas, folclóricas e religiosas. Por isso, após sua libertação pela liderança de Moisés, Deus lhes propõe um resgate histórico resumido visando à descontaminação em que seu povo se encontrava. Daí surgiu os relatos históricos da criação do mundo e de tudo mais apresentando sinteticamente as evoluções históricas do nascimento da humanidade, o afastamento de Deus por causa do pecado da mesma, suas vergonhas e glórias, até chegarmos a narrativa da vida de Abraão. Deus não deu a Abraão um compêndio de leis e normas. A lei, como já vimos, viria aproximadamente há 400 anos depois dele. Embora Deus tenha ministrado algumas leis orais ao seu povo, como a proibição verbal da participação da árvore do conhecimento do bem e do mal no Éden ( Gn 2:16,17 ), a lei formalizada e lavrada só viria pelas mãos de Moisés. Antes disso não podemos lançar culpa transgressiva de algo específico da lei a quem não possui diretrizes claras sobre tal preceito ( Rm 4:15;5:13;7:7 ). Por isso Deus não reprovou especificamente Abraão por ter possuído Hagar segundo as tradições da época. Ninguém chega a uma tribo indígena não evangelizada chamando de “sem vergonha’ os índios que vivem em sua nudez. Primeiro se aproxima, ganha confiança, e depois de estabelecida a aceitação mutua começa-se a mostrar as necessidades espirituais dos homens. Que pai repreende o filho bebê por ele não conseguir comer na mesa com garfo e faca? Não seria ele injusto exatamente por não aceitar que a capacidade motora do filho não lhe permite , ainda, viver como um adulto? Todos começam pelo leite, seja ele físico ou espiritual ( Hb 5:12-14; Cor 3:1-3 ). Por isso vemos claramente uma não repreensão específica da parte de Deus sobre as vidas de Abraão ( Gn 16:1-4 ) e Jacó ( Gn 30: 1-26 ) , no tocante ao tema que estamos analisando. Vemos que mesmo na época de Moisés o conceito de poligamia ainda não havia tomado um lugar de destaque , uma vez que as multidões que saíram do Egito tinham como tradição comum tal prática e até mesmo nas leis mosaicas foram estabelecidas leis com artigos definidos que salvaguardavam as mulheres de um mesmo homem ( Dt 21:15-17; Ex 21:7-10 ). 
         A nosso ver é fácil tachar a poligamia como pecado, pois temos Paulo ( 1Tm3:2 ; Tt1:7 ) como promotor de tal verdade. Porém não foi assim em eras remotas e exatamente por isso não podemos equipará-las. Alguém duvida que se na época de Abraão o Senhor lhe ordenasse a proibição de possuir concubinas ele teria dificuldade em cumpri-las? Aquele que não pouparia nem a vida de Isaque, seu amado filho, para agradar o seu Senhor, certamente não desobedeceria a um mandamento tão inferior. Assim sendo, o conceito da pecaminosidade da poligamia só viria a ser enfatizada na época dos apóstolos, quando Deus, os inspiraria a proclamar uma nova época de fidelidade a Ele, uma vez que, somente a partir de então, todos os que viessem a crer, teriam a ajuda do Espírito Santo para manterem as ordenanças divinas sempre acesas em seus corações ( Jo 16:13 ).
          Desta forma, ninguém ouse julgar a Deus pela forma paciente que Ele se mostrou para com os homens na história da humanidade, uma vez que é exatamente isso a causa de nós, hoje, não sermos consumidos ( Lm 3:22,23; Rm 3:25,26 ).

              Obrigado Senhor por tão grande benevolência!

 Pr. Alexandre Nascimento

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